| EM PREPARAÇÃO para o CONGRESSO
AMERICANO MISSIONÁRIO - 2 |
Pe. Fernando Galbiati
Secretário-Geral da Pontifícia União
Missionária
O “CAM 2 - Congresso Americano Missionário - 2”,
que terá lugar na Cidade de Guatemala de 25 a 30 de novembro
de 2003, une todas as Américas na celebração
da Missão. O CAM 1 foi o primeiro de uma nova série
de Congressos Missionários das Igrejas da América
Latina, chamados COMLAs, depois que a Exortação
Apostólica “Ecclesia in America” uniu efetivamente
o compromisso missionário de todas as Igrejas do mencionado
Continente. Realizado em Paraná (Argentina) no ano de 1999,
o “Sexto Congresso Missionário Latino-Americano”
(COMLA 6), tornou-se o CAM 1 e, assim, foi o último de
uma gloriosa tradição que levou a América
Latina até à vanguarda do movimento pela Missão
mundial de todas as suas Igrejas. Observe-se que a longa série
de Congressos Missionários foi o fruto da estreita colaboração
do Episcopado Latino-Americano com as Pontifícias Obras
Missionárias que, especialmente através da Pontifícia
União Missionária, têm o dever da animação
missionária de todo o Povo de Deus. As Pontifícias
Obras Missionárias, com efeito, deram um caráter
e um impulso missionários às Igrejas que estão
na América Latina, nos vinte e cinco anos em que os Congressos
Missionários se realizaram, com a periodicidade de quatro
anos.
Neste número da revista “Omnis Terra” apresentamos
a organização, os objetivos, as finalidades e as
esperanças em relação ao iminente CAM 2,
na forma de um “Serviço Especial”. Ele diz
respeito de modo especial às Igrejas da América
Central, que assumiram o compromisso de organizar o Congresso
Missionário e, entre elas, de modo particular, a Igreja
anfitriã da Guatemala. A carta para a “Convocação”
do Congresso, feito por Sua Ex.cia D. Rodolfo Quezada Toruño,
Arcebispo da Cidade de Guatemala e Presidente da Conferência
Episcopal Nacional, exprime os motivos, o conteúdo e as
expectativas do Congresso Missionário, no contexto da vida
e do “sofrimento pastoral” das Igrejas que estão
na América Central.
“O Congresso – como afirma o documento – terá
como objetivo a animação da vida das Igrejas particulares
do Continente, de tal maneira que, segundo a sua experiência
de evangelização, assumam com responsabilidade e
solidariedade o dever da missão “ad gentes”
[...] Por isso, durante o Congresso Missionário serão
abordados aqueles temas que infundirão na mente dos participantes
a convicção de que a Missão é o Anúncio
do Evangelho da Vida”.
Segue-se, depois, um longo e magistral documento de autoria do
Pe. Jesus Osorno, Secretário Executivo do Departamento
das Missões (DEMIS), da Conferência Episcopal Latino-Americana
(CELAM) que, partindo da experiência de vida eclesial das
Igrejas da América Central, oferece uma profunda e exaltante
meditação introdutiva aos trabalhos do Congresso
Missionário. O documento que apresentamos foi aprovado
durante um Encontro de Bispos desse Continente, realizado de 25
a 28 de novembro de 2002, em São Salvador (El Salvador).
«Finalmente - afirma o Pe. Osorno, inspirando-se no documento
de Puebla – América Central, chegou para ti a hora
de partir “ad gentes”... com a tua pequenez, a tua
pobreza e o sangue dos teus mártires... Já passou
o inverno da indiferença e da mesquinhez, e agora abre-se
o horizonte infinito da solidariedade, da comunhão universal...».
Ele oferece as motivações teológicas, eclesiais
e históricas deste grandioso compromisso que, pela primeira
vez, constitui a honra e o ônus das Igrejas irmãs
da América Central, em representação e em
união com as Igrejas das Américas do Norte e do
Sul. A leitura meditada desta “Mensagem”, preliminar
ao Congresso Missionário, pode dar uma idéia do
intenso espírito de missionariedade que anima as Igrejas
e organizações deste evento, e oferecer também
uma visão do longo caminho percorrido no passado, através
dos COMLAs 1-6, pelas Igrejas Latino-Americanas.
O espírito ardente e vibrante que emana da “Mensagem”
é fruto da meditação e da oração,
que foi a alma de todos os Congressos Missionários Latino-Americanos.
Este espírito de oração é, efetivamente,
aquilo que o próprio Jesus Cristo exigia para a evangelização
do mundo: «A messe é grande, mas os trabalhadores
são poucos! Pedi, portanto, ao Senhor da messe para que
mande trabalhadores para a sua messe!». Já o Papa
Pio XII, autor da Carta Encíclica “Fidei Donum”,
que abriu a porta da Missão para todas as Igrejas particulares,
na sua Carta Encíclica de 1943, “Mystici Corporis”,
assim se tinha expresso: «Se ainda há muitas pessoas,
infelizmente, que caminham distante da verdade católica
e não deixam a sua alma ser arrebatada pelo sopro da graça
divina, isto acontece porque nem elas nem os fiéis cristãos
elevam a Deus orações mais ardentes nesta intenção.
Por conseguinte, nós exortamos viva e insistentemente todos
aqueles que têm amor pela Igreja, a fim de que, seguindo
o exemplo do Redentor divino, nunca cessem de elevar tais súplicas»
(n. 104). Por sua vez, o Papa João Paulo II, na sua Carta
Encíclica “Redemptoris Missio” recomenda a
meditação orante e a consciência do compromisso
missionário: «As Igrejas locais, pois, insiram a
animação missionária como elemento fulcral,
na pastoral ordinária das dioceses e paróquias,
das associações e grupos, especialmente juvenis...
Para tal formação, são chamados os sacerdotes
e os seus colaboradores pastorais, os educadores e professores,
os teólogos, especialmente aqueles que ensinam nos seminários
e nos centros para leigos. O ensino teológico não
pode nem deve prescindir da missão universal da Igreja,
do ecumenismo, do estudo das grandes religiões e da missionologia»
(n. 83). Na “Conclusão” da sua Encíclica
Missionária, o Papa volta a insistir sobre o dever da oração
por parte de toda a Igreja, pela sua Missão de Evangelização:
«Como os Apóstolos depois da ascensão de Cristo,
a Igreja deve reunir-se no Cenáculo “com Maria, a
Mãe de Jesus” (At 1, 14), para implorar o Espírito
e obter força e coragem para cumprir o mandato missionário.
Também nós, bem mais do que os Apóstolos,
temos necessidade de ser transformados e guiados pelo Espírito»
(Redemptoris Missio, 92).
Tudo isto foi levado a cabo pelos vários Congressos Missionários,
dos quais a oração constitui uma parte essencial,
juntamente com o estudo dos problemas da Missão para uma
formação e animação missionárias.
Por isso, não é por acaso que o ano do CAM 2 foi
declarado um “Ano Santo Missionário” (2002
- 28 de novembro - 2003), em todas as Igrejas particulares. Desta
realidade fui pessoalmente testemunha, através da minha
participação no COMLA 6 - CAM 1 (1999) em Paraná
(Argentina). Durante a realização dos trabalhos
deste Congresso Missionário tão cheio de vida, que
contou com a participação de representantes de toda
o Continente americano, as igrejas dessa cidade estavam cheias
de fiéis, reunidos em oração, enquanto na
catedral, em todas as noites, havia uma solene celebração
eucarística pela Missão. Este Congresso Missionário
em prece foi precedido de dois anos de preparação,
através de encontros de oração e de estudo,
em todas as dioceses e paróquias, em harmonia com a admoestação
de Jesus Cristo: «Sem mim, nada podeis fazer!» (Jo
15, 5). Tudo isto está em sintonia com aquilo que a Pontifícia
União Missionária procurou realizar desde o seu
início, através da animação missionária
e com o espírito do seu Fundador, o Beato Padre Paulo Manna.
Ele, missionário de fé inabalável, diante
da imensa tarefa da evangelização do mundo, que
parecia uma missão impossível, como “um camelo
que passa pelo buraco de uma agulha”, tinha a mesma confiança
firme de Cristo: «Isto não é possível
para os homens, mas para Deus nada é impossível»
(Mt 19, 26).
O significado do CAM 2 adquire uma relevância especial,
se for considerado no contexto da situação da Igreja
mundial. Com efeito, unicamente a Missão constitui para
muitas Igrejas a ressurreição para uma vida nova,
um “sobressalto” de energia sobrenatural, que a volte
a inserir no caminho, no seguimento dos passos dos seus Pastores.
Na Exortação Apostólica “Ecclesia in
America”, o Papa tinha admoestado: «...as Igrejas
particulares da América são chamadas a estender
este ímpeto evangelizador para além das fronteiras
do seu Continente» (Ecclesia in America, 74). Os “cinco
Sínodos continentais” de fim de milênio expressaram
claramente as dificuldades das Igrejas nos vários Continentes,
enquanto as “Exortações Apostólicas
pós-sinodais” do Santo Padre João Paulo II
ofereceram indicações e sugestões para um
novo modo de ser Igreja-em-Missão. Na Exortação
Apostólica “Ecclesia in Europa”, o Papa declara
que se trata «de proclamar este anúncio de esperança
a una Europa que parece tê-la perdido» (Ecclesia in
Europa, 2). Por isso, na sua alocução do Angelus
de 13 de julho de 2003 (Ed. port. de L’Osservatore Romano
de 19.7.2003, pág. 1), retomando o mesmo tema do Sínodo,
o Santo Padre declarou que «a cultura européia dá
a impressão de “uma apostasia silenciosa” por
parte do homem saciado, que vive como se Deus não existisse»
(Ecclesia in Europa, 9).
Na sucessiva alocução do Angelus, a 27 de Julho
(Ed. port. de L’Osservatore Romano de 2.8.2003, pág.
1), o Santo Padre recorre a palavras ainda mais vigorosas e significativas
a este propósito: «A Igreja recebeu de Cristo ressuscitado
o mandato de proclamar o Evangelho até aos extremos confins
da terra. Nestes domingos, tive a oportunidade de recordar várias
vezes que para esta tarefa são chamadas, de modo singular,
as Comunidades eclesiais da Europa [...] Se algumas regiões
e determinados ambientes ainda esperam até mesmo o primeiro
anúncio do Evangelho, contudo há a necessidade de
que ele seja renovado em toda a parte. Com efeito, muitas vezes
o conhecimento do cristianismo é dado por certo, enquanto
na realidade a Bíblia é pouco lida e estudada, a
catequese nem sempre é aprofundada e os Sacramentos são
pouco frequentados. De tal forma, no lugar da fé autêntica
difunde-se um sentimento religioso vago e pouco comprometedor,
que pode tornar-se agnosticismo e ateísmo prático.
A Europa de hoje exige a presença de católicos adultos
na fé e de comunidades cristãs missionárias,
que dêem testemunho do amor de Deus por todos os homens
(cf. Ecclesia in Europa, 50). Este renovado anúncio de
Cristo deve ser acompanhado de um compromisso sincero no campo
ecuménico e no diálogo com os seguidores das outras
religiões [...] Cristo vai ao encontro do homem onde quer
que ele viva e trabalhe, e oferece um sentido pleno à sua
existência».
Infelizmente, esta situação de “secularização”
da vida humana pessoal e social, com as grandes mudanças
históricas que se verificaram do nosso século, é
a triste experiência de muitas Igrejas, debaixo de todos
os céus e em todos os Continentes. Por isso, também
para apresentar na sua verdadeira luz e nas suas expectativas
mais elevadas o evento do Congresso Missionário na Guatemala,
pensamos em expor uma documentação sobre a situação
típica de uma Igreja local nos cinco Continentes do mundo.
O primeiro artigo, fruto do estudo teológico e da experiência
de um sacerdote “Fidei Donum” italiano, apresenta
a situação da Igreja que está na Itália.
O segundo fala de outra Igreja do “Primeiro Mundo”,
da Igreja que está no Canadá, vista com os olhos
de um missionário do Congo, em serviço na região
do Quebeque. Em seguida um missiólogo holandês, professor
de seminário na África, discorre sobre a situação
da Igreja que vive em Moçambique em especial e em todo
o Continente africano em geral. Por último, o Pastor de
uma Igreja do Norte da China revela as “luzes e sombras”
da pastoral missionária na sua grande nação.
O “Serviço Especial”, no suplemento de páginas
amarelas, oferece as motivações, o projeto de trabalho
e o espírito do CAM 2, a celebrar na Guatemala.
Rezamos e formulamos os nossos bons votos a fim de que o “Mote”
deste Congresso, o primeiro do século XXI, no “Ano
Santo Missionário” das Américas, através
da intercessão de Maria, “Rainha das Missões”,
e no “Ano do Santo Rosário”, se torne uma realidade:
«IGREJA NA AMÉRICA, A TUA VIDA É MISSÃO!»
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