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Segundo Congresso Missionário Americano
Saudação do Cardeal Crescenzio Sepe à Assembléia do Conselho Superior das Pontifícias Obras Missionárias
Roma, 9 de maio de 2003
Excelências
Estimados Secretários-Gerais
Caríssimos Diretores Nacionais

É com prazer que apresento a todos vós a minha cordial saudação e boas-vindas, também em nome da Comissão Suprema e da Congregação para a Evangelização dos Povos.
Apresento também as minhas sinceras felicitações a todos aqueles que foram nomeados no decorrer deste último ano. Não sei qual é o seu número exato, mas dos Decretos que assinei, acredito que são numerosos. Congratulo-me ainda com o Pe. Fernando Galbiati pelo encontro que ele organizou para estes novos Diretores Nacionais, o qual teve lugar nestes últimos dias. Na realidade, se o compromisso de um Diretor Nacional das Pontifícias Obras Missionárias é entusiasmante e rico de satisfações, é inclusive delicado e importante, quer para toda a vida missionária de cada uma das Igrejas particulares, quer para a Igreja universal.
E é precisamente para este compromisso que, no dia de hoje, desejo chamar a vossa atenção.
Se é verdade que toda a Igreja e, por conseguinte, cada um dos membros do Povo de Deus, deve sentir a missão de anunciar Jesus Cristo como uma parte fundamental da sua vida cristã, é inclusive verdade que os Diretores Nacionais das Pontifícias Obras Missionárias são chamados a ser os principais responsáveis da animação e da cooperação missionárias.
Este compromisso de animação, que vos foi conferido mediante um mandato especial por parte da Igreja, provém de Cristo Senhor. É do mandamento de Jesus, a ir pelo mundo afora e anunciar o Evangelho a todas as criaturas, que deriva para a Igreja o compromisso de propagar a fé e a salvação de Cristo. Por conseguinte, como escreve o Concílio Ecumênico Vaticano II, «a missão da Igreja realiza-se mediante a operação pela qual, obediente ao mandato de Cristo e impelida pela graça e pela caridade do Espírito Santo, se torna plenamente presente a todos os homens e povos para, pelo exemplo de vida e pela pregação, pelos sacramentos e os restantes meios da graça, os conduzir à fé, liberdade e paz de Cristo, de tal maneira que lhes manifeste claramente o caminho livre e seguro, para participarem de maneira plena no mistério de Cristo» (Ad Gentes, 5).
Estimados Diretores Nacionais, este é o vosso programa da missão. O vosso múnus não constitui um título de honra ou um compromisso como que de aposentadoria, e nem sequer uma tarefa secundária em relação aos numerosos outros deveres pastorais que a Igreja costuma confiar. Na realidade, o vosso compromisso insere-vos no próprio centro da vida eclesial e a vossa responsabilidade é grandiosa, quer no que se refere às vossas Igrejas particulares, quer em relação à Igreja universal.
Se é verdade, como escreve o Santo Padre, que nos últimos tempos a animação missionária tem diminuído, então é necessário que voltemos a ter a coragem e o entusiasmo para mudar esta tendência, que já provocou muito mal, sobretudo anos países de missão.
A missionariedade, que faz parte da própria natureza da Igreja, constitui uma realidade que permanece e continuará enquanto existir a própria Igreja, ou seja, até ao fim dos tempos. A nossa tarefa de animação missionária é, por conseguinte, atual e urgente, considerando os enormes desafios que nos esperam no início deste terceiro milênio da era cristã. O Concílio Vaticano II insiste: «Para que todos e cada um dos fiéis conheçam plenamente a situação atual da Igreja no mundo... dêem-se-lhes notícias missionárias, mesmo através dos modernos meios de comunicação social, de tal maneira que, sentindo a atividade missionária como sua, abram o coração às imensas necessidades dos homens e possam socorrê-los» (Ad Gentes, 36).
Portanto, a finalidade primária da vossa presença aqui em Roma consiste em verificar e aprofundar o vosso compromisso em favor da animação missionária. Por outro lado, o nascimento na Igreja das especiais Obras carismáticas de ajuda às Missões, que o Papa quis fazer suas, declarando-as «Pontifícias», deve atribuir-se em primeiro lugar ao profundo sentimento de almas eleitas, aos Fundadores destas mesmas Obras. Eles sentiram vivamente a necessidade de acordar e despertar todos os fiéis da Igreja para o dever inadiável da Missão. Por outras palavras, as Pontifícias Obras Missionárias nasceram para a Animação Missionária do Povo de Deus, e esta é a sua tarefa mais importante no seio da Igreja. Por conseguinte, este constitui também o dever primordial e mais importante das pessoas que as representam e as administram.
A Animação Missionária é uma realidade difícil de ser definida, uma vez que inclui uma multiplicidade de idéias, de sentimentos e de ações, cuja soma resulta elusiva à contagem numérica e a uma definição simples. Com efeito, ela é tão vasta quanto a Fé, é sublime como a Graça, de que depende, e tem as suas raízes (como o próprio nome evidencia) na «alma». É como a alma no corpo, o primeiro motor da ação missionária, que a estimula e a sustém no seu desenvolvimento. Com efeito, sem esta alma a vida missionária não pode existir e, portanto, não pode haver sequer a Missão, que vivifica e salva. «Sem mim, nada podeis fazer» (Jo 15, 5). Embora trabalheis no âmbito das vossas Igrejas particulares, em virtude do vosso carisma sacerdotal e da vossa vocação ao múnus de Diretores Nacionais das Pontifícias Obras Missionárias, vós sois também verdadeiros missionários. Como acontece com cada um dos missionários, também vós trabalhais sob a ação do Espírito Santo e estais abertos a uma espiritualidade de animação pessoal e comunitária, que vos obriga a «viver em plena docilidade ao Espírito, e a deixar-vos plasmar interiormente por Ele, para vos tornardes cada vez mais semelhante a Cristo. Não se pode testemunhar Cristo sem espelhar a sua imagem, que é gravada em nós por obra e graça do Espírito. A docilidade ao Espírito permitirá acolher os dons da fortaleza e do discernimento, que são traços essenciais da espiritualidade missionária» (cf. Redemptoris Missio, 87).
Efetivamente, animação significa comunicação de vida e de espírito. Por este motivo, a animação missionária é uma ação pastoral que visa fazer com que as pessoas, as instituições, as comunidades cristãs e, em síntese, todas as Igrejas particulares que, juntamente com o Papa, formam a Igreja universal, sejam missionários. O Concílio Vaticano II ensina-nos que a vitalidade e a maturidade de uma comunidade cristã se manifestam no espírito e na responsabilidade missionária universal de cada uma das Igrejas, que oferecem a sua «contribuição em vantagem de toda a Igreja» (Ad Gentes, 6). É o mesmo Concílio que nos recorda ainda que, «em virtude desta catolicidade, cada uma das partes contribui com os seus dons peculiares para as demais e para toda a Igreja, de tal modo que o todo e cada uma das partes crescem por comunicação mútua e pelo esforço comum, em ordem a alcançar a plenitude na unidade» (Lumen Gentium, 13). O nosso Santo Padre João Paulo II recorda-nos ainda, na sua Carta Encíclica Missionária Redemptoris Missio, que «a participação na missão universal [...] não se reduz a algumas atividades isoladas, mas é o sinal da maturidade da fé e de uma vida cristã que dá fruto» (RM, 77). Assim, prezados Diretores Nacionais, podeis compreender plenamente as motivações desta Assembléia e também as suas finalidades mais exímias e, repletos de um espírito de fé e de amor mais vigoroso, invocar o Espírito que a deve animar.
Aquilo que o Papa nos ensina na mencionada Carta Encíclica Missionária não é o que cada uma das Igrejas, através do vosso serviço, pôde oferecer como contribuição com fundos financeiros para a ação missionária universal, mas sim quanto vós mesmos podeis oferecer em termos de animação e de oração pelas missões. Com efeito, o grau e o valor do vosso trabalho não é calculável apenas do ponto de vista monetário... Na realidade verdadeira, que é a cristã, todos nós somos interpelados neste sentido e, em tal perspectiva, somos todos iguais. Aqueles de entre vós que puderam oferecer mais são iguais aos que deram menos, contanto que todos tenham oferecido o mesmo espírito de dedicação em orações, obras e sacrifícios. Por outras palavras, contanto que tenhamos levado a cabo a animação missionária. Com efeito, aquilo que é mais importante é o fato de que, por vosso intermédio, «o crente alarga os horizontes da sua caridade, ao manifestar a solicitude por aqueles que estão longe e pelos que estão perto: reza pelas missões e pelas vocações missionárias, ajuda os missionários, acompanha a sua atividade com interesse e, quando regressam, acolhe-os com aquela alegria, com que as comunidades cristãs primitivas ouviam, dos Apóstolos, as maravilhas que Deus operara pela sua pregação (cf. At 14, 27)» (Redemptoris Missio, 77). A este propósito, devo exprimir a minha satisfação e as minhas felicitações a quantos de vós quiseram oferecer informações acerca das iniciativas mais significativas, tomadas nos respectivos países, em ordem a realizar esta animação missionária. Congratulo-me convosco, inclusive pela iniciativa tomada em vista de criar, no interior do vosso Conselho Superior, uma «task-force» destinada a elaborar e a concretizar obras pastorais como, por exemplo, a que se levou a cabo na Espanha, por ocasião da viagem apostólica do Papa, realizada há poucos dias, em ordem a criar uma sensibilidade cada vez maior em relação à animação missionária.
Por conseguinte, os meus ardentes bons votos são a fim de que, ao virdes anualmente a Roma para o vosso «intercâmbio de dons», possais ter como ocupação principal a oportunidade de permutar sobretudo o vosso «espírito missionário», com uma animação recíproca ao serviço de Deus e da sua Igreja «em Missão». Outro ponto, não menos importante, é a «promoção das vocações missionárias», que constituem a principal finalidade da animação das Pontifícias Obras Missionárias e, de forma especial, da Pontifícia União Missionária. A este respeito, o Papa assim se exprimiu: «A promoção de tais vocações representa o coração da cooperação [...] Desejo, portanto, recomendar insistentemente esta solicitude pelas vocações missionárias. Conscientes da responsabilidade universal dos cristãos, de contribuírem para a obra missionária e para o progresso das populações pobres, todos nós devemos interrogar-nos por que, em diversas nações, enquanto por um lado crescem as ofertas materiais, por outro ameaçam desaparecer as vocações missionárias, que constituem a verdadeira medida da entrega aos irmãos» (Redemptoris Missio, 79). Examinando apopriadamente os «Relatórios dos Diretores Nacionais» que são também os responsáveis do Secretariado Nacional da Pontifícia União Missionária, seria necessário e oportuno debater em tal sede este importante problema e fazer um resumo das vocações às missões, que Deus suscita em cada ano nas vossas Igrejas, inclusive através da vossa animação missionária. Neste caso, penso que as contribuições de determinadas Igrejas, superiores em ofertas financeiras, seriam equilibradas, e talvez até mesmo ultrapassadas, pelas ofertas de outas Igrejas pobres de fundos, mas ricas de vocações para a Missão.
Formulo votos para que estas minhas considerações sobre o vosso dever fundamental em vista da Animação Missionária, tão necessária em todas as suas formas sejam, também nesta Assembléia Geral, prioritárias nos vossos pensamentos e nas vossas preocupações. Do compromisso em prol da animação missionária brota inclusive a possibilidade de resolver o grave problema da cooperação material entre as Igrejas. Com efeito, quanto mais os fiéis forem espiritualmente animados, tanto mais estarão dispostos a dar os próprios bens por uma causa tão nobre e necessária para a vida da Igreja.
Enquanto deixo ao Presidente e aos Secretários-Gerais a exposição e a busca das soluções, considero oportuno fazer aqui uma referência a alguns problemas específicos...

1. Congressos Missionários Internacionais

Como bem sabeis, no próximo mês de novembro vai realizar-se na Guatemala o CAM–II, isto é, o segundo Congresso Missionário Americano, que conta com a participação de todos os países das Américas, inclusive dos Estados Unidos da América e do Canadá. Trata-se de um acontecimento de extraordinária importância para a animação missionária, como é demonstrado pelos Congressos Nacionais, que estão a ser realizados em muitos países, em preparação para o Congresso Continental.
Na minha opinião, é também oportuno que tais Congressos se possam realizar inclusive nos outros Continentes. A este propósito, já se fizeram acordos apropriados com os Bispos da Ásia; proximamente, entraremos em contato também com os Episcopados da África, da Europa e da Oceânia.
A ninguém passa despercebida a importância destes acontecimentos. Estou certo de que prestareis a máxima colaboração neste sentido, se e quando tiverem de se realizar tais iniciativas, tomadas no espírito de revigoramento da animação missionária.

2. Assistência à China e aos Sacerdotes «Fidei Donum»

Existem dois projetos que a Congregação para a Evangelização dos Povos está realizando com alguns organismos e, em particular, com a Direção Nacional da Itália.
No que se refere à China (mas inclusive no que diz respeito ao Vietnã), conheceis a particular situação em que ela se encontra. Neste caso, não posso entrar nos pormenores desta questão. É suficiente dizer que esse País tem uma contínua e urgente necessidade de assistência. Já existem outras organizações, que não deixam de oferecer a sua contribuição. Mas também nós, como Congregação, não nos podemos subtrair aos inúmeros apelos que nos são dirigidos quase todos os dias. Com a ajuda de Deus, esperamos poder responder, na medida do que nos for possível, a estas exigências para evitar o perigo de deixar morrer essa Igreja, que está atravessando graves dificuldades no que se refere à preservação da sua fé.
Acerca dos Sacerdotes Fidei Donum, trata-se de uma emergência destes últimos tempos, devida ao fato de que alguns Bispos dos países de missão estão dispostos a enviar Sacerdotes para trabalhar em outros países, e que não são capazes de os ajudar economicamente. A Congregação para a Evangelização dos Povos, que nisto faz o papel de intermediária, depois de ter alcançado um acordo entre o Bispo a quo e o Prelado ad quem, compromete-se em ajudar estes Sacerdotes financeiramente.

3. Distribuição dos rosários missionários

Por ocasião do Ano do Rosário, e com a intenção de favorecer tanto a animação como a cooperação missionárias, será distribuído, também na circunstância do Dia Missionário Mundial, um certo número de terços do Rosário, juntamente com as palavras do Papa que, na Mensagem enviada para recordar os 160 anos da Fundação da Obra da Santa Infância, escreveu algumas frases de explicação das dezenas dedicadas a cada um dos cinco Continentes.
Entretanto, esta iniciativa será realizada na Itália. Assim que estiverem prontos, enviarei a cada um de vós um certo número destes terços e do mencionado livrinho. Cada um poderá realizar, no seu país, esta ou outra iniciativa neste sentido.
Cheguei ao fim do meu discurso. Não obstante não seja possível acompanhar-vos nestes dias do vosso trabalho, e embora não faltem ocasiões de encontro, como na Audiência que o Papa nos concederá, desejo assegurar-vos a minha oração.
Cristo, o Enviado do Pai, seja sempre o único Mestre da vossa atividade missionária e Maria, Mãe das Missões, vos assista e vos proteja com o seu amor materno.

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