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ESPECIAL |
| RUANDA: o genocídio de um povo
é sempre um genocídio da humanidade |
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| As tragédias do colonialismo
na África |
Roma (Agência Fides) - O colonialismo europeu
na África é responsável de ações
de genocídio que permanecem desconhecidas ao grande público.
O exemplo mais famoso é o do Livre Estado do Congo (a atual
República Democrática do Congo), uma propriedade particular
do Rei Leopoldo II, da Bélgica. Nesse território, na
época rico como hoje de imensos recursos, toda a população
foi reduzida a escravidão e obrigada, com métodos desumanos,
a produzir riquezas a serem enviadas a Europa. Calcula-se que pelo
menos 10 milhões de pessoas perderam a vida entre 1885 (ano
de reconhecimento internacional do Estado Livre do Congo) até
1908, quando o Congo passou a ser, de propriedade privada do Rei,
a uma colônia da Bélgica. A cifra de 10 milhões
de mortos é uma estimativa prudente. Algumas fontes falam de
20 milhões de mortos.
Já na época, várias personalidades da cultura
e da política denunciaram os métodos brutais utilizados
no território particular de Leopoldo II. Entre estes, recordamos
os escritores Mark Twain e Joseph Conrad. Um funcionário da
alfândega belga denunciou que desembaraçavam do Congo,
nos portos belgas ouro e outras riquezas, enquanto a Bélgica
enviava ao Congo somente chicotes, fuzis e munições.
Outro genocídio Africano, por muito tempo esquecido pela história
foi o da população Herero da Namíbia, por parte
da Alemanha. A Namíbia, vasto território do sudoeste
da África que dá para o Oceano Atlântico, na época
era uma colônia alemã. Entre 1904 e 1915, mais de 80
mil Herero foram massacrados pelas tropas lideradas pelo general Lothar
von Trotha. O método empregado era particularmente cruel. As
tribos Herero eram levadas pelas tropas alemãs ao deserto Omaheke,
aonde todos os poços haviam sido envenenados. Os soldados tinham
ordens de matar todos – homens, mulheres, crianças –
que tentassem fugir do deserto.
Estes são somente dois exemplos de como a “civil Europa”
tenha realizado genocídios em terras Africanas, e demonstram
o modo como o racismo, de um vírus exportado do exterior, tenha
se insinuado também na história européia, dando
vida à incrível tragédia do Holocausto, com mais
de 6 milhões de mortos.
O colonialismo europeu é responsável também pelo
tráfico de escravos da África para as Américas.
Não há estimativas precisas de quantas pessoas foram
extraídas à força de suas terras e conduzidas,
acorrentadas, para o “Novo Mundo”. Segundo algumas fontes,
entre 1550 e 1850, 100 milhões de Africanos foram reduzidos
à escravidão; estimativas mais prudentes reduzem esse
número a 20-30 milhões. Calcula-se que somente 30% dos
escravos tenham chegado vivos a seu destino.
Escravos para substituir os povos precedentemente exterminados: os
autóctones das Américas. Para citar um exemplo, em 4
séculos, nos territórios que compreendem os atuais Estados
Unidos e Canadá, a população local passou de
cerca de 10 milhões a 237 mil, a maioria dos quais, confinados
em “reservas” especiais. Outro genocídio do colonialismo
europeu, praticando na indiferença geral. Somente a Igreja
elevou sua voz contra tais crimes. Jesuítas e Dominicanos fundaram
estados nos quais os nativos podiam refugiar-se e viver como homens
livres. É a história narrada no filme “Mission”.
Infelizmente, o colonialismo não podia tolerar que uma “aberração”
similar sobrevivesse. Os estados livres, fundados por missionários
com espírito evangélico, foram destruídos. (L.M.)
(Agência Fides) |
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