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ESPECIAL |
| RUANDA: o genocídio de um povo
é sempre um genocídio da humanidade |
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| A 10 anos do genocídio, feridas
ainda abertas em Ruanda, mas a reconciliação avança |
Kigali (Agência Fides) - A 10 anos do genocídio
ruandês, muitas feridas permanecem abertas, mas o país
está se encaminhando para a conciliação. Um dos
problemas principais é julgar os responsáveis pelos
crimes. Em todo o país, foram ativos tribunais tradicionais
Gacaca, nos quais os presumíveis culpados são julgados
coletivamente.
“Milhares de pessoas estão ainda detidas, a espera de
julgamento, mas muitos milhares já receberam a sua sentença”
– diz à Agência Fides Pe. Domenique Karekezi, diretor
do periódico católico Kinyamateka. “Muitos foram
libertados ao serem julgados inocentes ou por falta de provas; outros
admitiram suas culpas e pediram perdão à comunidade.
Outros ainda, ao contrário, foram julgados culpados e estão
cumprindo suas condenações”.
O governo ruandês decidiu constituir 11 mil tribunais tradicionais,
para processar o enorme número de detentos a espera de julgamento.
Estima-se que os acusados de participar dos massacres de 1994 sejam
115 mil. Em outubro de 2001, os júris foram eleitos por aclamação
popular. Como condições para ser eleitos estão
a fluência escrita e falada da língua nacional, o Kinyarwanda,
e um comportamento íntegro. Não é necessário
algum conhecimento de direito. Prevê-se um curso intensivo de
direito antes do início dos processos. O fato que os julgamentos
sejam públicos e contem com a participação de
toda a população protege os acusados de calúnias.
A Igreja também está ativamente engajada no processo
de reconciliação. “Nos dias 29 e 31 de março,
realizou-se em Ruanda um encontro internacional para refletir sobre
a situação na região, dez anos depois do genocídio”
– explica Pe. Domenique. “Participaram do encontro todos
os Bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas de Ruanda, e tantos
leigos. Estavam presentes também delegações dos
países vizinhos, Burundi e Tanzânia, de modo especial”.
“Esse encontro foi só a última iniciativa, em
ordem cronológica, da Igreja Católica em favor da reconciliação
e da pacificação do país” - recorda Pe.
Domenique. “Logo após o genocídio, de fato, os
Bispos ruandeses promoveram sínodos de reconciliação
em todas as dioceses e paróquias de Ruanda, por diversos anos”.
“Na base da reflexão comunitária, está
a mensagem evangélica da paz e do perdão. O Grande Jubileu
do 2000 foi vivido pela Igreja ruandesa na chave da reconciliação
e da busca da paz” – acrescenta Pe. Domenique.
Entre as atividades promovidas pela Igreja Católica, estão
encontros entre as mulheres que perderam seus maridos nos massacres,
e entre aquelas cujos maridos estão em cárceres, acusados
de serem autores de massacres.
O genocídio ruandês eclodiu logo após o abatimento,
em 6 de abril de 1994, do avião do Presidente Juvénal
Habyarimana, que estava no poder desde 1973. Viajava com ele, no avião,
Cyprien Ntaryamira, Presidente del Burundi. Depois do atentado, se
desencadeou um massacre de tutsis e hutus que se opunham ao regime
existente e lutavam por mudanças. Calcula-se que as vítimas
tenham sido mais de um milhão. (L.M.) (Agência Fides
6/4/2004) |
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