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O PRESÉPIO DE LECCE
O papel machê é, desde as suas origens, uma arte típica
e exclusivamente da cidade de Lecce, livre de qualquer outro tipo
de técnica ou de expressão artística, autenticamente
popular, não só enquanto conhecida entre o povo graças
ao seu baixo custo, mas também porque os temas e o seu preparo
eram e permanecem essencialmente populares.
Embora as primeiras obras em papel machê sejam datadas por volta
do século XVI , somente no Século XVIII é que
se têm datas precisas de sua origem. Tem como maestro Pietro
dei Cristi, assim chamado porque era hábil na modelagem de
imagens sacras.
No final do século, foram essencialmente os barbeiros, que
sem clientes começaram a trabalhar com este material, para
incrementar os seus escarsos salários. Desta forma, as barbearias
se tornaram também laboratório de figuras; as estatuetas
produzidas eram vendidas na Feira dos Pupi e dos Pastores, que ainda
nos dias atuais é realizada em Lecce no dia de Santa Lúcia.
O papel machê é composto por restos de papel (para que
não contenha celulose), amassado até que seja reduzida
em migalhas, misturado com cola de farinha, e fervido em água
com desinfetante para impedir a ação das traças:
o composto assim obtido é depois posto em camadas, cuja espessura
varia de acordo com as dimensões da figura.
A estátua é, em seguida, modelada, envolvida em diversas
camadas e trabalhada exclusivamente com as mãos, as partes
mais delicadas são depois aperfeiçoadas com ferro quente
em uma operação chamada “a fogo”. Em sua
última fase, a estátua é posta para secar ao
sol, sem nenhum processo artificial.
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