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O PRESÉPIO ROMANO
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Desde 1289, ano em que Arnolfo de Cambio esculpiu as suas estátuas
para a Basílica de Santa Maria Maior, aquela em que é
considerada a primeira representação do Presépio,
foi preciso esperar quase três séculos para se ter notícias
certas, baseadas em documentos comprobatórios, sobre a existência
de Presépio em Roma e precisamente em 1581, quando o franciscano
espanhol Juan francisco Nuno, que tinha recebido a incumbência
de realizar uma pesquisa sobre os conventos romanos, menciona como
o Presépio fosse montado regularmente nos mosteiros e nas igrejas,
e como, principalmente, aquele de Aracoeli atraísse uma multidão
de fiéis, com a estátua do Santo Menino entalhada, segundo
a tradição, por um anônimo frei franciscano em
um tronco de oliveira.
Assim como aconteceu em Nápoles, em Gênova e na Sicília,
o Presépio das Igrejas migra para as casas patrícias,
com construções espetaculares e criativas, em obediência
aos modelos barrocos, que tinha como finalidade causar impacto, mais
do que o de edificar, de cujas realizações participaram
eminentes artistas (Bernini havia motado para o príncipe Barberini).
Datados de 1700 são os Presépios das Clarissas de São
Lourenço, constituído por cinco grandes estátuas
e aqueles de Santa Maria em Trastevere e das Beneditinas do Monasteiro
de Santa Cecília. Mais rica é a documentação
existente de 1800, quando o costume de montar Presépios se
amplia a todos as faixas sociais, com a produção de
estatuazinhas em terracota de baixo custo, modeladas por escultores
medíocres e obtidas com moldes pelos escultores de Trastevere.
É uma curiosidade que o próprio Bartolomeo Pinelli “o
pintor do Trastevere”, quando jovem trabalhou na oficina do
pai, artesão, modelando em terracota bonecos para presépios.
Alguns presépios eram colocados sobre os pórticos das
basílicas, sobre terraças e lojas, com uma cenografia
natural e o céu como panorama. Entre estes, o Presépio
mais visitado era aquele que o industrial Forte montava todo ano em
Trastevere, com figuras realizadas com uma técnica particular:
o tronco de madeira, cabeça e membros de papel machê,
vestidos de tela endurecidos com cola e depois colorida.
Como se vê, o presépio romano é, em seu conjunto,
o menos ostentoso e o mais severo em relação ao modelo
napolitano: a Sagrada Família retorna ao centro da composição,
as figuras são menos suntuosas, a cenografia é mais
sóbria e contida. Por outro lado, o cenário é
muito mais cuidadoso,
que repoduz geralmente a paisagem campestre romana, com os pinheiros,
ovelhas e as ruínas de antigos aquedutos e muito característica
é a glória Angélica: em nove círculos
concêntricos, ornados de nuvens, os anjos participam da alegria
dos homens pelo nascimento do Redentor que, em uma longíqua
noite, colmaram com seus vôos os céus de Belém.
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