| O tema da missão e da evangelização
do continente não deixa de ser uma constante durante as quatro
Conferências Gerais do CELAM realizadas até agora.
Em todas, com efeito, buscou-se impulsionar com força a Nova
evangelização e fazer conscientes todos os fiéis
de sua vocação à missão. De fato, todas
as Conferências Gerais foram preparadas e celebradas como
grandes encontros orientados à evangelização,
buscando cada uma delas responder aos desafios que pertenciam ao
seu tempo. O tema de fundo que unifica todas as Conferências
Gerais é a evangelização. As suas conclusões
e orientações refletem o espírito evangelizador
que os distingue entre eles. Cada uma com o seu estilo acentuou
sua missão eclesiástica, integrou o antigo com o novo,
esforçou-se por escutar a necessidade e as expectativas do
povo de Deus, e assinalou novas rotas no caminho do evangelizador.
A primeira Conferência Geral do Rio, tem como principal
preocupação a situação dos evangelizadores,
e em particular modo a escassez do clero. No contexto de intensificação
da vida cristã propôs-se o estímulo a uma campanha
vocacional, e naqueles tempos encorajou a intensificação
dos meios de formação da fé. No Preâmbulo
do texto conclusivo afirma-se: “Conhecemos a necessidade,
não somente salvaguardar o patrimônio da fé
católica na América Latina, mas também que
este grande Continente responda plenamente – de acordo com
os desejos mais vivos do Vicário de Cristo – à
sua vocação apostólica”.
No documento das conclusões, há um capítulo,
o XI, dedicado às missões (“Missões,
índios e povos de cor”), no qual “se louvava
o empenho apostólico com o qual os missionários da
América Latina dedicavam as suas atividades, as suas energias,
e também a sua mesma vida à sacra empresa de incorporação
na Igreja Católica de todos os habitantes das zonas que ainda
constituem territórios de missão; e alimenta a absoluta
confiança que continuarão, cada dia com o maior entusiasmo,
uma tarefa tão apostólica”. Os Bispos sugerem
aos Prelados dos territórios de missão em cada país
que, dada a escassez de missionários, seja favorecida a instituição
e catequistas que instruam os índios, dirijam as suas orações,
os preparem o mais cedo possível ao batismo, assistam os
moribundos..., se fundem escolas normais rurais, de artes e trabalhos,
agrícolas e de trabalhos domésticos para os recém
nascidos, se fomentem nos territórios de missão as
obras de assistência social – hospital, asilo, sanatórios,
dispensários – e se busque com vistas a este fim, onde
é possível, também a ajuda da autoridade civil.
Do mesmo modo pede-se que o maior número possível
de Ordens, Congregações e Instituições
Seculares, assim como os Institutos de assistência social
os Institutos leigos de católicos preocupados com o problema
das missões, enviem pessoal capaz e especializado aos territórios
de Missão, em número e em qualidade cada dia maior.
Recomenda-se que os Prelados diocesanos, nas suas respectivas jurisdições,
encorajem generosamente a União de Missão do Clero
e das outras Obras de Missão Pontifícia.
A segunda Conferência Geral de Medelín propõe-se
a aplicar a renovação conciliar para a América
Latina. O tema escolhido foi: “A presença da Igreja
na atual transformação da América Latina, à
luz do Concílio Vaticano II”. O desenvolvimento integral
da pessoa e da sociedade, da perspectiva da Evangelização,
mereceu uma atenção especial nesta Conferência.
Produziu 16 documentos sobre os aspectos mais importantes da tarefa
evangelizadora da Igreja na América Latina. Entre os aspectos
pastorais que tiveram uma maior ressonância na vida da Igreja
podem-se mencionar: o sentido da salvação e da liberação,
a riqueza da religiosidade popular, a experiência da comunidade
eclesiástica de base, o nascimento dos ministérios
ordenados e dos ministérios confiantes nos leigos, a opção
preferencial pelos pobres, o compromisso dos cristãos com
a justiça e a promoção humana.
A terceira Conferência Geral de Puebla, orientou-se mais explicitamente
rumo à promoção de uma evangelização
renovada da América Latina. O tema da Conferência foi:
“A evangelização no presente e no futuro da
América Latina” e teve como base da sua reflexão
a Exortação Apostólica Evengelii Nutiandi de
Paulo VI, sobre a evangelização no mundo contemporâneo.
Esta Conferência preocupou-se com uma evangelização
renovada na cultura da América Latina, através da
proclamação integral da verdade sobre Jesus Cristo,
sobre a natureza, sobre a missão da Igreja e sobre a dignidade
e o destino do ser humano. O princípio pastoral que foi escolhido
para estimular a renovação na Igreja e a evangelização
foi a comunhão e a participação. Todo o documento
final é orientado a esta Evangelização.
No documento final se realiza em primeiro lugar uma Visão
histórica sobre a realidade latino-americano, na qual se
recorda como “a evangelização está nas
origens deste Novo Mundo que é a América Latina”.
Com efeito “a obra evangelizadora da Igreja na América
Latina é o resultado do esforço missionário
unânime de todo o povo de Deus. Ali se encontram as inúmeras
iniciativas de caridade, assistência, educação
e de modo exemplar as originais sínteses de evangelização
e promoção humana das missões franciscanas,
agostinianas, dominicanas, jesuítas, mercedárias e
outras: o sacrifício e a generosidade evangélica de
muitos cristãos, a inventiva na pedagogia da fé, a
vasta gama de recursos que reuniam todas as artes, da música,
ao canto, à dança até a arquitetura, à
pintura e ao teatro”. E reconhece-se como este trabalho de
Evangelização “que constitui na América
Latina o ‘continente da esperança’ foi muito
mais poderoso que as sombras que dentro do contexto viveram dolorosamente
aqueles que o acompanharam”. O documento dedica um outro inteiro
capítulo ao conteúdo de evangelização
e à questão de que coisa significa evangelizar? Tentando
dar resposta às questões, Quem espera o nosso anúncio?
Qual é a transformação das pessoas e das culturas
que se assemelha a do Evangelho e que é preciso nutrir? Que
coisa nos ensina a Igreja sobre a autêntica libertação
cristã? Como evangelizar a cultura e a religiosidade do nosso
povo? Que coisa diz o Evangelho ao homem que anela a sua promoção
e quer viver o seu compromisso político-social?
Do mesmo modo se relembra que “Deus, na América Latina,
nos chama a uma vida em Jesus Cristo”. É preciso anunciá-lo
a todos os irmãos. A Igreja evangelizadora tem esta missão:
“pregar a conversão, libertar o homem e impulsioná-lo
ao mistério da comunhão com a Trindade e de comunhão
com todos os irmãos, transformando-os em agentes e cooperadores
do desígnio de Deus”.
No documento indicam-se os locais de preferência pela evangelização,
com vistas a edificar a Igreja e a sua irradiação
missionária, como são: a família, as comunidades
eclesiásticas de base, a paróquia e a Igreja particular.
Nesta missão de evangelização da Igreja na
América Latina indicam-se também alguns pontos prioritários
como por exemplo um olhar particular nos confrontos dos pobres e
dos jovens.
“Chegou o momento de dedicar todas as forças eclesiásticas
à nova evangelização e à missão
ad gentes. Nenhum crente em Cristo, nenhuma instituição
da Igreja pode iludir este dever supremo: anunciar Cristo a todos
os povos” (Redemptio misso, 3). Este momento chegou também
para a América Latina. “A fé se reforça
dando-a! A nova evangelização dos povos cristãos”,
também nas Igrejas da América, “encontrará
inspiração e apoio no compromisso para a missão
universal” (Ibid. 2). Para a América Latina, que recebeu
Cristo cerca de cinqüenta anos atrás, o maior sinal
de agradecimento pelo dom recebido, e pela sua vitalidade cristã,
é dedicar-se à mesma na missão”, é
a mensagem do Santo Padre, João Paulo II na Quarta Conferência
de Santo Domingo.
Em continuidade com os precedentes, esta Conferência, trabalhou
sobre o tema “Nova evangelização, promoção
humana e cultura cristã. ‘Jesus Cristo é o mesmo
de ontem, de hoje e de sempre’ (Hb 13,8). Esta Conferência
Geral se realiza coincidentemente com a celebração
dos 500 anos de evangelização e a instauração
da Igreja no continente, portanto, é orientada totalmente
à missão.
O Santo Padre João Paulo II, já no discurso inaugural
da Conferência falou longamente deste tema, relembrando como
a Conferência “reúne-se para celebrar a instauração
da Igreja, que durante estes cinco séculos deu abundantes
frutos de santidade e amor no Novo Mundo”. E também
para “perfilar as linhas mestras de uma ação
evangelizadora que ponha Cristo no coração e sobre
os lábios de todos os latino-americanos”. Do mesmo
modo falou da Nova Evangelização que “não
consiste em um ‘novo evangelho’, que surgirá
sempre de nós mesmos, da nossa cultura, da nossa análise
da necessidade dos homens. Não consiste sequer em recortar
do Evangelho tudo aquilo que aparece dificilmente assimilável
para a mentalidade de hoje. Não é a cultura a medida
do Evangelho, mas é Jesus Cristo a medida de toda cultura
e de toda obra humana. Não, a nova evangelização
não nasce do desejo “de agradar aos homens” ou
de “buscar o seu favor”, mas da responsabilidade do
dom que Deus nos fez com Cristo, graças à qual acedemos
à verdade sobre Deus e sobre os homens, e à possibilidade
da vida verdadeira”. Esta nova evangelização
é “afeita à atitude, ao estilo, ao esforço
e à programação, aos métodos e à
expressão”.
O Santo Padre relembrou que “não existe uma autêntica
promoção humana, real liberação, nem
um olhar particular para os pobres, mas parte-se dos fundamentos
mesmos da dignidade da pessoa e do ambiente no qual deve desenvolver-se
segundo o projeto do Criador”.
Com relação à ignorância pediu que “se
impregne com os valores cristãos as raízes mesmas
da cultura ‘sobrevinda’ e de todas as culturas já
existentes. Com relação a isto, será necessário
prestar particular atenção à cultura indígena
e afro-americana, assimilando e pondo em relevo tudo aquilo que
nessa há de profundamente humano e humanizante. A sua visão
da vida, que reconhece a sacralidade do ser humano, o seu profundo
respeito pela natureza, pela humildade, pela sinceridade, pela solidariedade,
valores que devem estimular o esforço para levar a cabo uma
autêntica evangelização aculturada, que seja
também promotora do progresso e conduza sempre “à
adoração de Deus no espírito de verdade”
(Jo 4,23). Além disso, o reconhecimento dos ditos valores
não nos exime de proclamar em cada momento que “Cristo
é o único Salvador da humanidade, o único em
condição de revelar Deus e de guiar-nos a Deus”.
Uma condição indispensável para poder levar
a cabo esta evangelização e poder contar seus evangelizadores
numerosos e qualificados, por isto, a promoção das
vocações sacerdotais e religiosas, e de outros agentes
pastorais, deve ser uma prioridade dos Bispos e um compromisso de
todo os Povos de Deus. Nesta grande missão da nova evangelização
o Santo Padre acentuou um forte apelo à colaboração
dos leigos: “Neste momento no qual convoquei todos a trabalhar
com ardor apostólico na vinha do Senhor, sem que ninguém
seja excluído, ‘os fiéis leigos devem sentir-se
parte viva e responsável por esta empresa (da nova evangelização),
chamados como são a anunciar e a viver o Evangelho no serviço
aos valores e às exigências das pessoas e da sociedade’”.
Na mensagem da IV Conferência aos povos da América
Latina e do Caribe os Bispos convocam todos os fiéis por
uma Nova Evangelização e clamam especialmente aos
leigos e entre estes os jovens. Do mesmo modo pedem que se encoraje
uma evangelização que penetre nas raízes mais
profundas da cultura dos povos.
A ênfase principal do documento é na pessoa e na mensagem
do Senhor Jesus. Desta aproximação propõe-se
o estímulo a uma nova evangelização que leve
a uma mais profunda promoção humana e seja instrumento
da configuração de uma cultura cristã. O documento
final preocupou-se em formular e sintetizar a proposta de uma Nova
evangelização pela Igreja da América Latina
pondo uma especial ênfase no fundamento cristológico
da evangelização e na necessidade de promulgar o Evangelho
nas diversas culturas e nas diferentes estruturas dos povos da América
Latina. Para esta Nova Evangelização “não
se trata de prescindir da primeira evangelização,
mas de partir dos ricos e abundantes valores que este difundiu na
América. Damos a todos um anúncio forte e entusiástico
pela Evangelização, não somente em seio às
nossas Igrejas mas além das nossas fronteiras”, lê-se
no documento. |