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V CONFERÊNCIA DO EPISCOPADO LATINO-AMERICANO
Aparecida (Brasil) de 13 a 31 de maio de 2007
IV. A MISSÃO E A EVANGELIZAÇÃO DURANTE AS CONFERÊNCIAS GERAIS DO CELAM

O tema da missão e da evangelização do continente não deixa de ser uma constante durante as quatro Conferências Gerais do CELAM realizadas até agora. Em todas, com efeito, buscou-se impulsionar com força a Nova evangelização e fazer conscientes todos os fiéis de sua vocação à missão. De fato, todas as Conferências Gerais foram preparadas e celebradas como grandes encontros orientados à evangelização, buscando cada uma delas responder aos desafios que pertenciam ao seu tempo. O tema de fundo que unifica todas as Conferências Gerais é a evangelização. As suas conclusões e orientações refletem o espírito evangelizador que os distingue entre eles. Cada uma com o seu estilo acentuou sua missão eclesiástica, integrou o antigo com o novo, esforçou-se por escutar a necessidade e as expectativas do povo de Deus, e assinalou novas rotas no caminho do evangelizador.

A primeira Conferência Geral do Rio, tem como principal preocupação a situação dos evangelizadores, e em particular modo a escassez do clero. No contexto de intensificação da vida cristã propôs-se o estímulo a uma campanha vocacional, e naqueles tempos encorajou a intensificação dos meios de formação da fé. No Preâmbulo do texto conclusivo afirma-se: “Conhecemos a necessidade, não somente salvaguardar o patrimônio da fé católica na América Latina, mas também que este grande Continente responda plenamente – de acordo com os desejos mais vivos do Vicário de Cristo – à sua vocação apostólica”.
No documento das conclusões, há um capítulo, o XI, dedicado às missões (“Missões, índios e povos de cor”), no qual “se louvava o empenho apostólico com o qual os missionários da América Latina dedicavam as suas atividades, as suas energias, e também a sua mesma vida à sacra empresa de incorporação na Igreja Católica de todos os habitantes das zonas que ainda constituem territórios de missão; e alimenta a absoluta confiança que continuarão, cada dia com o maior entusiasmo, uma tarefa tão apostólica”. Os Bispos sugerem aos Prelados dos territórios de missão em cada país que, dada a escassez de missionários, seja favorecida a instituição e catequistas que instruam os índios, dirijam as suas orações, os preparem o mais cedo possível ao batismo, assistam os moribundos..., se fundem escolas normais rurais, de artes e trabalhos, agrícolas e de trabalhos domésticos para os recém nascidos, se fomentem nos territórios de missão as obras de assistência social – hospital, asilo, sanatórios, dispensários – e se busque com vistas a este fim, onde é possível, também a ajuda da autoridade civil. Do mesmo modo pede-se que o maior número possível de Ordens, Congregações e Instituições Seculares, assim como os Institutos de assistência social os Institutos leigos de católicos preocupados com o problema das missões, enviem pessoal capaz e especializado aos territórios de Missão, em número e em qualidade cada dia maior. Recomenda-se que os Prelados diocesanos, nas suas respectivas jurisdições, encorajem generosamente a União de Missão do Clero e das outras Obras de Missão Pontifícia.

A segunda Conferência Geral de Medelín propõe-se a aplicar a renovação conciliar para a América Latina. O tema escolhido foi: “A presença da Igreja na atual transformação da América Latina, à luz do Concílio Vaticano II”. O desenvolvimento integral da pessoa e da sociedade, da perspectiva da Evangelização, mereceu uma atenção especial nesta Conferência. Produziu 16 documentos sobre os aspectos mais importantes da tarefa evangelizadora da Igreja na América Latina. Entre os aspectos pastorais que tiveram uma maior ressonância na vida da Igreja podem-se mencionar: o sentido da salvação e da liberação, a riqueza da religiosidade popular, a experiência da comunidade eclesiástica de base, o nascimento dos ministérios ordenados e dos ministérios confiantes nos leigos, a opção preferencial pelos pobres, o compromisso dos cristãos com a justiça e a promoção humana.
A terceira Conferência Geral de Puebla, orientou-se mais explicitamente rumo à promoção de uma evangelização renovada da América Latina. O tema da Conferência foi: “A evangelização no presente e no futuro da América Latina” e teve como base da sua reflexão a Exortação Apostólica Evengelii Nutiandi de Paulo VI, sobre a evangelização no mundo contemporâneo. Esta Conferência preocupou-se com uma evangelização renovada na cultura da América Latina, através da proclamação integral da verdade sobre Jesus Cristo, sobre a natureza, sobre a missão da Igreja e sobre a dignidade e o destino do ser humano. O princípio pastoral que foi escolhido para estimular a renovação na Igreja e a evangelização foi a comunhão e a participação. Todo o documento final é orientado a esta Evangelização.
No documento final se realiza em primeiro lugar uma Visão histórica sobre a realidade latino-americano, na qual se recorda como “a evangelização está nas origens deste Novo Mundo que é a América Latina”. Com efeito “a obra evangelizadora da Igreja na América Latina é o resultado do esforço missionário unânime de todo o povo de Deus. Ali se encontram as inúmeras iniciativas de caridade, assistência, educação e de modo exemplar as originais sínteses de evangelização e promoção humana das missões franciscanas, agostinianas, dominicanas, jesuítas, mercedárias e outras: o sacrifício e a generosidade evangélica de muitos cristãos, a inventiva na pedagogia da fé, a vasta gama de recursos que reuniam todas as artes, da música, ao canto, à dança até a arquitetura, à pintura e ao teatro”. E reconhece-se como este trabalho de Evangelização “que constitui na América Latina o ‘continente da esperança’ foi muito mais poderoso que as sombras que dentro do contexto viveram dolorosamente aqueles que o acompanharam”. O documento dedica um outro inteiro capítulo ao conteúdo de evangelização e à questão de que coisa significa evangelizar? Tentando dar resposta às questões, Quem espera o nosso anúncio? Qual é a transformação das pessoas e das culturas que se assemelha a do Evangelho e que é preciso nutrir? Que coisa nos ensina a Igreja sobre a autêntica libertação cristã? Como evangelizar a cultura e a religiosidade do nosso povo? Que coisa diz o Evangelho ao homem que anela a sua promoção e quer viver o seu compromisso político-social?
Do mesmo modo se relembra que “Deus, na América Latina, nos chama a uma vida em Jesus Cristo”. É preciso anunciá-lo a todos os irmãos. A Igreja evangelizadora tem esta missão: “pregar a conversão, libertar o homem e impulsioná-lo ao mistério da comunhão com a Trindade e de comunhão com todos os irmãos, transformando-os em agentes e cooperadores do desígnio de Deus”.
No documento indicam-se os locais de preferência pela evangelização, com vistas a edificar a Igreja e a sua irradiação missionária, como são: a família, as comunidades eclesiásticas de base, a paróquia e a Igreja particular. Nesta missão de evangelização da Igreja na América Latina indicam-se também alguns pontos prioritários como por exemplo um olhar particular nos confrontos dos pobres e dos jovens.
“Chegou o momento de dedicar todas as forças eclesiásticas à nova evangelização e à missão ad gentes. Nenhum crente em Cristo, nenhuma instituição da Igreja pode iludir este dever supremo: anunciar Cristo a todos os povos” (Redemptio misso, 3). Este momento chegou também para a América Latina. “A fé se reforça dando-a! A nova evangelização dos povos cristãos”, também nas Igrejas da América, “encontrará inspiração e apoio no compromisso para a missão universal” (Ibid. 2). Para a América Latina, que recebeu Cristo cerca de cinqüenta anos atrás, o maior sinal de agradecimento pelo dom recebido, e pela sua vitalidade cristã, é dedicar-se à mesma na missão”, é a mensagem do Santo Padre, João Paulo II na Quarta Conferência de Santo Domingo.
Em continuidade com os precedentes, esta Conferência, trabalhou sobre o tema “Nova evangelização, promoção humana e cultura cristã. ‘Jesus Cristo é o mesmo de ontem, de hoje e de sempre’ (Hb 13,8). Esta Conferência Geral se realiza coincidentemente com a celebração dos 500 anos de evangelização e a instauração da Igreja no continente, portanto, é orientada totalmente à missão.
O Santo Padre João Paulo II, já no discurso inaugural da Conferência falou longamente deste tema, relembrando como a Conferência “reúne-se para celebrar a instauração da Igreja, que durante estes cinco séculos deu abundantes frutos de santidade e amor no Novo Mundo”. E também para “perfilar as linhas mestras de uma ação evangelizadora que ponha Cristo no coração e sobre os lábios de todos os latino-americanos”. Do mesmo modo falou da Nova Evangelização que “não consiste em um ‘novo evangelho’, que surgirá sempre de nós mesmos, da nossa cultura, da nossa análise da necessidade dos homens. Não consiste sequer em recortar do Evangelho tudo aquilo que aparece dificilmente assimilável para a mentalidade de hoje. Não é a cultura a medida do Evangelho, mas é Jesus Cristo a medida de toda cultura e de toda obra humana. Não, a nova evangelização não nasce do desejo “de agradar aos homens” ou de “buscar o seu favor”, mas da responsabilidade do dom que Deus nos fez com Cristo, graças à qual acedemos à verdade sobre Deus e sobre os homens, e à possibilidade da vida verdadeira”. Esta nova evangelização é “afeita à atitude, ao estilo, ao esforço e à programação, aos métodos e à expressão”.
O Santo Padre relembrou que “não existe uma autêntica promoção humana, real liberação, nem um olhar particular para os pobres, mas parte-se dos fundamentos mesmos da dignidade da pessoa e do ambiente no qual deve desenvolver-se segundo o projeto do Criador”.
Com relação à ignorância pediu que “se impregne com os valores cristãos as raízes mesmas da cultura ‘sobrevinda’ e de todas as culturas já existentes. Com relação a isto, será necessário prestar particular atenção à cultura indígena e afro-americana, assimilando e pondo em relevo tudo aquilo que nessa há de profundamente humano e humanizante. A sua visão da vida, que reconhece a sacralidade do ser humano, o seu profundo respeito pela natureza, pela humildade, pela sinceridade, pela solidariedade, valores que devem estimular o esforço para levar a cabo uma autêntica evangelização aculturada, que seja também promotora do progresso e conduza sempre “à adoração de Deus no espírito de verdade” (Jo 4,23). Além disso, o reconhecimento dos ditos valores não nos exime de proclamar em cada momento que “Cristo é o único Salvador da humanidade, o único em condição de revelar Deus e de guiar-nos a Deus”.
Uma condição indispensável para poder levar a cabo esta evangelização e poder contar seus evangelizadores numerosos e qualificados, por isto, a promoção das vocações sacerdotais e religiosas, e de outros agentes pastorais, deve ser uma prioridade dos Bispos e um compromisso de todo os Povos de Deus. Nesta grande missão da nova evangelização o Santo Padre acentuou um forte apelo à colaboração dos leigos: “Neste momento no qual convoquei todos a trabalhar com ardor apostólico na vinha do Senhor, sem que ninguém seja excluído, ‘os fiéis leigos devem sentir-se parte viva e responsável por esta empresa (da nova evangelização), chamados como são a anunciar e a viver o Evangelho no serviço aos valores e às exigências das pessoas e da sociedade’”.
Na mensagem da IV Conferência aos povos da América Latina e do Caribe os Bispos convocam todos os fiéis por uma Nova Evangelização e clamam especialmente aos leigos e entre estes os jovens. Do mesmo modo pedem que se encoraje uma evangelização que penetre nas raízes mais profundas da cultura dos povos.
A ênfase principal do documento é na pessoa e na mensagem do Senhor Jesus. Desta aproximação propõe-se o estímulo a uma nova evangelização que leve a uma mais profunda promoção humana e seja instrumento da configuração de uma cultura cristã. O documento final preocupou-se em formular e sintetizar a proposta de uma Nova evangelização pela Igreja da América Latina pondo uma especial ênfase no fundamento cristológico da evangelização e na necessidade de promulgar o Evangelho nas diversas culturas e nas diferentes estruturas dos povos da América Latina. Para esta Nova Evangelização “não se trata de prescindir da primeira evangelização, mas de partir dos ricos e abundantes valores que este difundiu na América. Damos a todos um anúncio forte e entusiástico pela Evangelização, não somente em seio às nossas Igrejas mas além das nossas fronteiras”, lê-se no documento.

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