o portal congregação p.o.m. collegium urbano urbaniana fides santa sé
testata banner mongolia
 
 HOME ITALIANO ESPAÑOL ENGLISH FRANÇAIS PORTUGUÉS DEUTSCH CHINESE
Evangelho
Santos
Magistério
Congregação
Pontifícias Obras Missionárias
Universidade Urbaniana
Subsídios
Animação
Estatísticas
Testemunhos
Martirológio
Jubileu 2000
Vida da Igreja
Missionários
Institutos Religiosos
Movimentos e Associações
Universidades Católicas
Cultura
História
Arte
Cinema e fotografia
Rádio e TV
Música
Poesia
Saúde
Tecnologia
Geografia
360° News
Dossiê
Aprofun-
damentos
Entrevistas
Relatos
Recensões
Para os mais pequeninos
V CONFERÊNCIA DO EPISCOPADO LATINO-AMERICANO
Aparecida (Brasil) de 13 a 31 de maio de 2007
III. Um pouco de história: das Assembléias eclesiásticas do século XVI a Aparecida

Quase desde o início da história da América Latina torna-se evidente a preocupação dos Pastores de coordenar os esforços por uma precoce mostra de colegialidade episcopal no continente. As enormes dificuldades, a vastidão e complexidade geográfica do Novo Mundo, assim como a sua riqueza cultural os levam a reunirem-se para a busca de soluções comuns ao desafio que havia sido imposto às primeiras evangelizações.
Uma manifestação inicial deste espírito de colegialidade e comunhão no Novo Mundo foram as Assembléias eclesiásticas da assim chamada Nova Espanha e do Caribe celebradas em 1524, 1536, 1539, 1541 e 1544. A mais importante foi a de 1539, uma vez que serviu de base para o trabalho missionário até o primeiro Concílio Provincial do México.
Às Assembléias sucederam-se uma forma mais orgânica de encontros episcopais chamada Concílio Provinciais. Assim, tanto no México quanto em Lima celebraram-se esta assembléia com o fim de organizar o trabalho da Igreja, regulamentar juridicamente a sua ação e estabelecer caminhos pastorais comuns para a difusão do Evangelho.
O primeiro Concílio Provincial foi celebrado em Lima em 1552, convocado por seu primeiro Arcebispo Jerônimo de Loyasa. Estes Concílios Provinciais foram organizados também no México a partir de 1555. A isto se seguiram anos nos quais se organizaram outros Concílios Provinciais tanto no México (1565) quanto em Lima (1567) com a finalidade de aplicar o Concílio de Trento (finalizado em 1563).
Destes memoráveis e decisivos Concílios Provinciais é preciso destacar o III Concílio Limense celebrado em 1582-1583 e o III Concílio Mexicano realizado dois anos mais tarde, em 1585. Ambos haviam como fim comum continuar a aplicar o grande concílio de Trento às novas realidades da América e a estimular e aprofundar a evangelização empreendida. A história da evangelização da América é intimamente ligada a estes dois decisivos Concílios Provinciais.
O caso do Brasil é um tanto diverso do da América hispânica. A evangelização não foi organizada de modo tão rápido. A iniciativa evangelizadora será assumida pelas ordens, especialmente dos jesuítas. Mas será somente no início do século XVIII que se descobrirá a exigência de uma planificação comum do serviço apostólico. Assim, em 1707 se realiza um Sínodo na Arquidiocese de São Salvador da Bahia cujas conclusões e diretivas foram assumidas no resto das dioceses do Brasil.
Uma nova época para a Igreja na América Latina se abre com o Concílo Plenário da América Latina, convocado pelo Papa Leão XIII e celebrado em Roma em 1899. Reuniu uma significativa representação de dioceses e jurisdições eclesiásticas latino-americanas. Apresentaram-se mais de cinqüenta bispos. Ali foi preparado um importante conjunto de decretos que serão um sustento importante da vida da Igreja para toda a primeira metade do século XX.
O próximo objetivo importante na história da Igreja na América Latina é a organização das Conferências Gerais do Episcopado.
A I Conferência Geral do Episcopado Latino-americano celebrou-se na cidade do Rio de Janeiro em 1955. Foi convocada pelo Papa Pio XII. A Conferência havia o evidente desejo de promover uma renovada evangelização e o reforço da fé na América Latina. Os principais temas de reflexão episcopais foram a escassez de sacerdote, o compromisso dos leigos, a instrução religiosa dos povos (“batizado mas não catequizado”), a difícil situação sócio-econômica da região, o compromisso da comunidade eclesial no âmbito da educação e da promoção social e por último, as grandes questões da situação das populações indígenas e dos fenômenos migratórios. Além destes temas principais os 6 Cardeais e os 95 Bispos presentes refletiram sobre outras questões como por exemplo, os meios de comunicação social (vistos como um importante instrumento de evangelização e catequese), os fluxos migratórios, a penetração protestante e o ressurgimento das práticas espíritas e similares. Notou-se a necessidade de estimular uma campanha vocacional e de promover uma formação mais profunda e integral.
Uma das maiores contribuições que surgiram desta I Conferência Geral foi a iniciativa de solicitar ao Santo Padre Pio XII a criação do Concílio Episcopal Latino-americano (CELAM) que teve um papel tão importante na América Latina na coordenação e no serviço da comunhão episcopal e eclesial. Após menos de dois meses Pio XII aprovou a criação do CELAM decidindo que a sua sede fosse em Bogotá (Colômbia). Entre 5 e 14 de novembro do mesmo ano foi realizada a primeira reunião constitutiva do CELAM.
A II Conferência Geral do Episcopado Latino-americano celebrou-se na cidade de Medelín (Colômbia) em 1968 (26 de agosto e 6 de setembro). Realizou-se imediatamente após o Concílio Vaticano II e teve como objetivo aplicar a renovação conciliar à realidade latino-americana. São anos muito difíceis não somente para a América Latina, mas para todo o mundo. No continente está se estendendo o fenômeno do militarismo e a guerrilha, enquanto milhares de pessoas vivem em condições de pobreza extrema e aparentemente sem nenhuma esperança. O tema escolhido foi: Presença da Igreja na atual transformação da América Latina à luz do Concílio Vaticano II. A questão que percorre todo o documento é a necessidade do desenvolvimento integral da pessoa. A II Conferência Geral é convocada pelo Papa Paulo VI e mais tarde inaugurada pessoalmente por ele, em 24 de agosto na Catedral de Bogotá. Esta foi a sexta viagem apostólica internacional do Santo Padre e a primeira ocasião na qual um Pontífice visitava a América Latina. Significou o início de um tempo novo para a Igreja do continente.
A III Conferência Geral do Episcopado Latino-americano é celebrada onze anos após, em 1979, na cidade mexicana de Puebla de Los Angeles. O tema escolhido esta vez foi: a evangelização no presente e no futuro da América Latina. A ênfase principal do documento final é o binômio comunhão e participação. É inaugurada pessoalmente pelo Papa João Paulo II. Significou um momento muito importante da vida da Igreja no continente. O seu documento confirmou muito profundamente o compromisso do Povo de Deus.
A IV Conferência Geral do Episcopado Latino-americano é convocada pelo Papa João Paulo II, e inaugurada em 12 de outubro na cidade de Santo Domingo em 1992. Esta conferência se prepara e se desenvolve sob a marca do V Centenário da Evangelização da América, isto é, no contexto que recordava os 500 anos da descoberta da América (12 de outubro de 1492). O tema escolhido foi: Nova evangelização, promoção humana e cultura cristã, Jesus Cristo ontem, hoje e sempre (Hb 13,8). Em seu discurso o Santo Padre, João Paulo II enfrentou com clareza todas as questões principais da vida eclesial e dos católicos na América Latina e no Caribe. As reflexões e a orientação do Papa centraram-se em 5 pontos cardeais: “Jesus, ontem, hoje e sempre; a Nova Evangelização; a promoção humana integral; a cultura cristã; uma nova era sob o sinal da esperança”.
O aspecto principal do documento final é a pessoa e a mensagem do Senhor Jesus. Deste aspecto cristocêntrico estende-se a toda a realidade para iniciar uma nova evangelização que alimente uma promoção humana mais profunda e seja instrumento de edificação de uma cultura mais cristã. A esta extensão cristocêntrica devem-se acrescentar dois aspectos que mais do que qualquer outro são chaves fundamentais para compreender o documento dominicano e os novos horizontes pastorais da Igreja no continente: a reconciliação, a solidariedade e à presença mariana.
As Conferências Gerais foram a expressão e o impulso do processo de amadurecimento eclesial na América Latina e uma ocasião de revisão e reflexão sobre os desafios pastorais para a missão da Igreja na América Latina. Dentro de seu caráter eclesial, não obstante a grande participação do Povo de Deus, são propriamente assembléias episcopais. A preparação precedente nas igrejas locais, assim como a participação no desenvolvimento das mesmas por outros filhos da Igreja não diminui de modo algum este fato fundamental.
Desta Conferência surgiram muitos frutos importantes para a Igreja na América Latina. Foi sem dúvida uma motivação a mais para a renovação. Através de seus documentos foram concretizadas grandes linhas de um esforço evangelizador comum e de um intenso compromisso pastoral com os homens e as mulheres da América Latina. Ademais, os documentos das últimas três Conferências tiveram uma ampla e afetuosa recepção nas Igrejas locais da América Latina, chegando a ocupar um lugar destacado na reflexão e no compromisso das comunidades eclesiásticas. Deste modo reforçou-se nestes tempos uma forma comum de exprimir e viver a fé que, manifestando o substrato da identidade cultural forjada ao calor do Evangelho, permitiu destacar a variedade, a riqueza e as características singulares das Igrejas locais da América Latina.
Como último sinal desta história antecedente à Conferência de Aparecida é preciso assinalar a Assembléia especial pela América do Sínodo dos Bispos. Esta Assembléia Sinodal foi parte do caminho percorrido do Povo de Deus pela mão de João Paulo II em preparação ao Grande Jubileu no Ano 2000. Convocados pelo Santo Padre reuniram-se em Roma, desde 16 de novembro a 12 de dezembro, 235 bispos – além dos ouvintes, peritos e delegados de outras confissões – tanto da América do Norte quanto da América Latina.
Pela primeira vez as duas principais porções da Igreja que peregrina no continente – a do norte com uma matriz anglo-francesa e a do sul claramente ibérica – reúnem-se sob a guia de Pedro para refletir e aprofundar os desafios que a Igreja enfrenta nestas terras diante do trabalho da Nova Evangelização, horizonte comum para todos os homens e mulheres do continente. Neste sentido podemos realmente dizer que o Sínodo foi realmente uma ocasião e um sinal de reconciliação.
O tema da Assembléia Sinodal foi: “Encontro com Jesus Cristo vivo, caminho para a conversão, a comunhão e a solidariedade na América”. Este programa evangelizador foi proposto pelo Papa João Paulo II na Exortação Pós-sinodal Ecclesia in América apresentada no México aos pés de Nossa Senhora de Guadalupe, tão intimamente ligada à primeira evangelização.

>> Index <<
 
Palazzo "de Propaganda Fide" - 00120 - Città del Vaticano Tel. +39-06-69880115 - Fax. +39-06-69880107 - e-mail: fides@fides.va © AGENZIA FIDES